Falar de Zaha Hadid é entrar em um território onde a arquitetura deixa de ser rígida e passa a ser fluxo, onde a matéria ganha movimento e o espaço deixa de ser limite para se tornar experiência.
Nascida em Bagdá, em 1950, Zaha levou ao mundo uma visão ousada e indomável, moldada por sua formação na Architectural Association School of Architecture, em Londres. Em um cenário dominado por homens, enfrentou resistência, críticas e o ceticismo de quem não conseguia enxergar além do convencional.
Seu estilo rompeu padrões. Associada ao Deconstructivismo e pioneira na Arquitetura Paramétrica, criou uma linguagem fluida, orgânica e contínua, formas que parecem esculpidas pelo vento, onde não há começo nem fim, apenas movimento.
Por muitos anos, seus projetos foram considerados impossíveis. Ainda assim, ela persistiu. E foi essa persistência que transformou visão em realidade, levando-a a se tornar a primeira mulher a receber o Prêmio Pritzker.
Entre suas obras icônicas, o Heydar Aliyev Center (em Baku, Azerbaijão) surge como um gesto contínuo e fluido; o MAXXI – Museu Nacional das Artes do Século XXI (em Roma), propõe percursos livres e inesperados; o London Aquatics Centre traduz a leveza da água em arquitetura e ainda a fábrica da BMW em Leipzig, Alemanha, com suas formas espaciais e futuristas.
Seu legado vai além das formas. Zaha deixou permissão para ousar, para romper, para criar sem pedir aprovação. Sua arquitetura não apenas abriga: ela provoca, emociona e transforma a forma como sentimos o espaço.
Como ela mesma disse: “Há 360 graus. Por que se limitar a um só?” — uma frase que traduz sua coragem, sua força e sua essência inovadora, sempre à frente do seu tempo.
@elianeschuchmann
Por Eliane Schuchmann – Colunista Seven Nine





