Eu não tiro, eu coloco
Em momentos que a moda dita que o nude, o bege e o marrom são os tons do momento, eu ainda prefiro o brilho, as plumas e o vermelho. Até porque, para usar esses apetrechos, tem que ter personalidade. E muita. E isso, modéstia à parte, eu tenho de sobra. Na verdade, aprendi a ter com os perrengues que a vida me deu.
Eu não tiro, eu coloco.
Corretivo na tentativa de disfarçar um pouco as olheiras, rímel nos pequenos cílios que me restam, uma base e blush para dar aquele ar saudável e batom. Vermelho, claro.
Deve ter uns 4 anos que aderi ao vermelho nos lábios. Se não me falha a memória, na mesma época (talvez um pouco antes) que lancei meu primeiro livro. Espalhar o pincel e colorir a boca fazia com que, misteriosamente, a minha autoestima inflasse de forma inexplicável. Aquilo fazia com que eu crescesse. Não em altura, mas como pessoa.
Podia ser um encontro de mulheres, uma reunião de trabalho, um jantar com o marido. Não importava, mas lá estava ele: o batom vermelho derramado sob meus lábios. Finos. Mas com ele se tornavam carnudos. Inexplicável.
Praticamente uso o mesmo desde então. Mentira. Mudei. Mas desde que mudei, mantenho o mesmo. Não tanto pela fidelidade, mas pelo tom do vermelho que eu desejava, pela durabilidade na boca e pela segurança que ele me traz.
Junto a ele, sapatos. Que cor? Vermelhos, claro.
Não dito moda, tão pouco sigo regras. Apenas as minhas. Que eu mesmo coloco sobre mim. E as sigo feliz da vida.
É por isso que eu não tiro, eu coloco.
Bjs de LUZ,
Por Fernanda Rosito – Colunista





