Calma na alma e coragem para começar

Eita.

Toda vez que eu paro e sento para escrever um artigo, acontece a mesma coisa: um pequeno pânico silencioso. “E agora? Sobre o que vou escrever?” São tantos assuntos…

Naquele momento, deu um branco. Não foi um branco elegante, poético. Foi branco mesmo. Vazio. Silêncio na cabeça. Como se todas as ideias tivessem decidido tirar férias juntas.

Eu poderia ter brigado comigo. Poderia ter me cobrado produtividade instantânea. Mas fiz outra escolha.

Continuei comendo meu macarrão. Afinal, estava uma delícia!

Respirei.

Fiquei ali, mastigando rápido. Mesmo precisando mastigar devagar, deixando o tempo fazer o que ele sabe fazer melhor: organizar o que está bagunçado por dentro. Mas não consigo, mastigo rápido, mesmo.

E foi assim — simples assim — que as ideias começaram a voltar. Não vieram correndo. Vieram caminhando. Uma frase aqui. Uma lembrança ali. Uma sensação que pedia para virar palavra.

Ah… nada melhor do que a calma na alma.

A TV estava ligada em Sex and the City. Eu não assistia de verdade, só ouvia. Gosto dessa companhia sonora. Às vezes, não é sobre prestar atenção é sobre não se sentir sozinha enquanto vive o próprio enredo.

E o meu enredo hoje foi simples. Mas foi bonito.

Consegui fazer as unhas das mãos e dos pés. A Priscila veio aqui e deixou minhas unhas lindas. Esmalte vermelho. Óbvio. Daqueles que me lembram que continuo sendo mulher para além da mãe, da empreendedora, da escritora. Pequenos gestos que parecem banais, mas que me devolvem para mim. Simples assim.

Finalizei a edição de um livro que estava pendente. Terminei a leitura de outros dois. Resolvi coisas invisíveis. Pensei projetos. Organizei detalhes da Primeira Oficina de Escrita que vai acontecer dia 30 de abril, no Balneário Perequê.

Escolhas.

Eu tenho pensado muito sobre isso. A vida que a gente tem é resultado das escolhas que faz nos dias comuns. Não nos dias extraordinários. Nos comuns mesmo. No dia do macarrão. No dia do esmalte vermelho. No dia do chocolate dividido.

Enquanto escrevo, estou comendo Suflair. Aquele chocolate que derrete na boca e parece abraçar a gente por dentro. Meu filho está tão radiante que até o meu chocolate virou nosso. Ele comeu comigo. Riu comigo. E, sem saber, me ensinou mais uma vez que presença vale mais do que perfeição.

Talvez escrever seja isso.

Não é ter sempre algo genial para dizer.

É ter coragem de sentar mesmo quando parece que não há nada.

É confiar que, se a alma acalma, a palavra aparece.

Eu não escrevo porque tenho tudo resolvido.

Eu escrevo porque estou vivendo.

E é exatamente isso que quero compartilhar na Oficina: não técnicas frias, mas processos reais. Não fórmulas prontas, mas caminhos possíveis. Não textos perfeitos, mas textos verdadeiros.

Porque no fundo, a escrita começa assim:

Com um “eita”.

Com um branco.

Com um prato de macarrão.

Com uma taça de espumante.

Com um chocolate dividido.

Com uma mãe que tenta organizar o mundo por dentro enquanto organiza a vida por fora.

E, principalmente, com a decisão de começar.

Se você sente que tem palavras guardadas aí dentro, talvez seja hora de dar a elas um espaço.

Com calma na alma.

E coragem no coração.

Bjs de LUZ,

Por Fernanda Rosito – Colunista da Seven Nine

Tags
Compartilhe: