Ariano Suassuna não escreveu apenas histórias — escreveu uma identidade inteira. Filho do sertão cresceu entre perdas e resistências, e fez da arte um jeito de transformar dor em beleza. Seu olhar via grandeza no que o mundo chamava de simples: o violino sertanejo, o riso da feira, o aboio que corta o silêncio.
Suassuna, o poeta que uniu mundos, aproximou o erudito do popular com uma ousadia luminosa. Daí nasceu o Movimento Armorial, que fez dialogar música, pintura, literatura e teatro como se fossem notas de uma mesma canção. Sua missão era clara: mostrar que o Brasil do barro, do cordel e da fé possui a elegância de uma catedral.
Em O Auto da Compadecida, entregou ao mundo João Grilo e Chicó — símbolos de esperteza, humor e esperança. Entre milagres, críticas sociais e compaixão, Suassuna nos lembrou que o riso é força espiritual e que a fé, quando encontra poesia, ergue pontes sobre a dureza da vida. O riso que salva.
Em suas aulas-espetáculo, Ariano brilhava. Falava de arte, ética e beleza como quem oferece água fresca. Defendia um Brasil real, profundo, digno. Repetia com firmeza:
“Ser realista esperançoso é melhor que ser otimista tolo”.
Ariano deixou um mapa afetivo do Brasil: humor, honra, fé, identidade e coragem estética. Sua obra nos ensina que a beleza não é luxo é uma forma de resistência. Seu legado.
“Suassuna provou que onde há cultura, há luz — mesmo no mais árido dos sertões”.
Ainda disse: “A beleza é uma espécie de luz que se acende na alma”.
Por Eliane Schuchmann – Colunista Seven Nine




