Vivemos um tempo em que a construção civil se tornou um dos espelhos mais nítidos da economia — e do país. O setor, que sempre foi sinônimo de força e geração de emprego, agora se vê atravessado por pressões econômicas, oscilações políticas e impactos diretos da geopolítica global. E, apesar dos desafios, sigo acreditando: a construção continua sendo um terreno fértil para quem enxerga além do óbvio.
Nos últimos meses, vimos os juros altos impactarem desde o financiamento imobiliário até a expansão de novos projetos. Vimos custos operacionais aumentarem acima da inflação, ao mesmo tempo em que o acesso ao crédito foi ficando mais difícil. Os números mostram uma desaceleração moderada — e, ainda assim, o setor segue crescendo. Esse paradoxo só confirma o que muitos de nós já percebemos na prática: o que sustenta o mercado hoje não é apenas o volume, mas a inteligência estratégica aplicada à decisão.
Há também uma mudança silenciosa, mas profunda, no perfil dos players. Marcas que antes ignoravam o mercado interno, hoje voltam o olhar com atenção. O setor público reaparece com força em feiras, programas e incentivos, trazendo à tona diálogos que estavam adormecidos. E mais: a construção industrializada, modular, seca — antes nichada — invadiu os eventos, os canteiros e os discursos. A inovação deixou de ser adorno e virou critério.
Mesmo com todas as dificuldades, a construção civil segue sendo uma das maiores geradoras de empregos do país. E mais: é hoje o setor com o maior salário médio de admissão no Brasil. Isso diz muito sobre a relevância e o potencial de crescimento para quem atua com técnica, posicionamento e clareza de proposta.
E sim, há incertezas. Os impactos da política nacional, das reformas e da instabilidade global ainda pairam sobre nós. Tarifas comerciais, riscos cambiais, dependência de insumos estrangeiros… tudo isso compõe o cenário. Mas é justamente aqui que entra o olhar que eu escolho ter: não para romantizar, mas para reagir com estratégia.
A resposta está na diversificação. Em pensar novos formatos. Em buscar soluções locais. Em se antecipar às tendências — e se posicionar com clareza diante delas. Porque se a lógica da construção está mudando, mudar a lógica com que nos colocamos dentro dela é o próximo passo.
Quem olha para a construção civil como um setor parado, ainda não entendeu a potência de um mercado em reconstrução.
Por Catri Atta – Colunista




